ALTER DO CHÃO - Não é à toa que a vila de Alter do Chão, a cerca
de 35 quilômetros de Santarém, no Pará, é conhecida como o “Caribe
amazônico”. O local é sucesso inclusive em publicações internacionais —
já tendo sido citado pelo “The Guardian”, entre as melhores praias do
Brasil. O Rio Tapajós é de um azul cristalino, a água é morna e a areia,
branca. E sem mosquitos a incomodar, devido à acidez da água, resta aos
visitantes relaxar em suas praias, passear de barco e, para quem
quiser, explorar a Floresta Nacional do Tapajós, fazendo uma trilha,
tomando banho de igarapé e conhecendo a realidade de uma comunidade
ribeirinha.
Diante da imensidão do Tapajós, às vezes é difícil
acreditar que estamos num rio. Em alguns trechos, ele chega a ter
impressionantes 18 quilômetros de largura. Em Alter, a praia que faz
mais sucesso é a Ilha do Amor, localizada bem em frente à vila e seu
cartão-postal. A travessia é feita em barquinhos a remo, leva cerca de
cinco minutos e custa R$ 3. No mês de novembro as águas baixam ainda
mais e é possível chegar lá a pé.
A Praia do Cajueiro também
encanta os visitantes, e fica a dez minutos a pé do centro da vila. Nas
duas há barracas que servem bolinho de piracuí (farinha feita de peixe
seco socado no pilão), iscas de peixe e tucunaré na chapa.
Entre
os passeios de barco, há o Lago Verde, que inclui passagem por igapós
(áreas de floresta amazônica alagada); a praia de Ponta das Pedras, com
formações rochosas; e a Ponta do Cururu, onde você verá um lindo pôr do
sol e, com sorte, botos. Prepare-se para tomar um banho mesmo no barco,
na ida ou na volta de Ponta das Pedras, dependendo da direção do vento.
Caminhada e banho de igarapé às margens do Rio Tapajós
Partindo
de Alter do Chão, também vale a pena conhecer é a Floresta Nacional do
Tapajós (Flona Tapajós), a uma hora e meia de voadeira (lancha veloz). O
passeio inclui caminhada de três horas pela floresta, parando para
apreciar árvores como Breu Branco, utilizada no preparo de remédios para
sinusite, seringueiras e uma enorme sumaúma.
Apesar
de ter um trecho de subida, a caminhada não é pesada, mas torna-se
cansativa por causa do forte calor, principalmente na área de floresta
secundária, que foi desmatada no passado, antes de o local ser
transformado em Unidade de Conservação. Mas a vegetação é tão fechada
nesse trecho que um leigo só percebe a diferença a sua volta por causa
do aumento do calor e do solo arenoso. Depois da caminhada, a pedida é
um bom banho de igarapé, com água bem mais gelada que a do Tapajós.
Um
dos pontos de partida para a trilha é a comunidade de Jamaraquá,
formada por 24 famílias que vivem da extração da borracha e do turismo.
Mas, antes de fazer esse passeio, certifique-se de que o guia contratado
tem autorização do Instituto Chico Mendes (ICMBio) para entrar na
reserva florestal. O preço médio fica em torno de R$ 150 por pessoa para
um grupo de três.
O verão amazônico vai de agosto a dezembro. A
partir de novembro, o calor é muito intenso. A melhor época para visitar
Alter do Chão é durante o mês de setembro, quando as águas do rio
baixam, formando bancos de areia e praias, e a temperatura é amena. Mas é
justamente nessa época que Alter vive seu período de altíssima
temporada, com a realização do Sairé.
O Sairé, festa de cunho
religioso e bastante importante para as comunidades da região, acontece
na segunda quinzena de setembro. O evento é marcado pela procissão
fluvial que dá início à programação e inclui shows de carimbó e uma
disputa dos botos Tucuxi e Cor de Rosa, nos moldes dos bois de
Parintins.
Mas o Sairé costuma superlotar a vila, expondo a frágil
estrutura da região para comportar tantos visitantes de uma vez só. Por
isso, quem quiser programar sua viagem para o mês de setembro deve
fazê-lo com bastante antecedência, já que a oferta de quartos em
pousadas e hotéis é limitada para o volume de visitantes que a
localidade atrai nesse período.
Quatro dias são suficientes para
explorar o lugar. Devido à proximidade de Santarém, principal cidade no
oeste do Pará, a vila de Alter do Chão oferece infraestrutura razoável.
Há bons hotéis e pousadas, mas não há muitos restaurantes. A
especialidade são os pratos à base de peixe. Tucunaré, surubim, tambaqui
e pirarucu são as grandes atrações, servidos na chapa, à escabeche, na
manteiga ou na forma de moqueca.
Procure levar dinheiro em
espécie, já que nenhum lugar aceita cartão e há somente um caixa
eletrônico da Caixa Econômica, no mercadinho, e uma agência dos Correios
que funciona como banco postal do Bradesco.
COMO CHEGAR
Alter do Chão:
De Santarém saem ônibus diariamente, de hora em hora, para Alter do
Chão. De táxi, a viagem é feita em menos de uma hora e custa cerca de R$
80.
ONDE FICAR
Hotel Beloalter: Situado em uma praia particular do Lago Verde, cobra diárias a partir de R$ 184. Tel. (93) 3527-1230.
beloalter.com.br
Hotel Mirante da Ilha:
De frente para o rio Tapajós, o hotel fica ao lado da praia do
Cajueiro. Diárias a partir de R$ 153. Rua Lauro Sodré 369. Tel. (93)
3527-1268.
hotelmirantedailha.com.br
Pousada Vila da Praia:
A um quarteirão da praia, a pousada oferece chalés com ar-condicionado a
partir de R$ 100. Trav. Copacabana 145. Tel. (93) 8114.2694.
viladapraiapousada.blogspot.com
PASSEIOS
Raimundo:
É possível combinar de fazer os três passeios visitando as Ilhas do
Amor e do Cajueiro, além do Lago Verde, todos de uma vez só, por um
preço único em torno de R$ 70. Os passeios são tratados em uma barraca
na Ilha do Amor ou pelo telefone (93) 9139-1680.
© 1996 - 2011. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e
Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por
broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.