Grand Canyon tem 70 milhões de anos, segundo estudo
Conclusão diverge de outros estudos, que afirmam que o cânion não teria mais do que 5 ou 6 milhões de anos
Grand Canyon, no Arizona. Cientistas divergem sobre a idade de um dos mais famosos cartões postais dos EUA
(Kojihirano/Getty Images/iStockphoto)
O Grand Canyon, situado no estado do Arizona (EUA), tem cerca de 70
milhões de anos de idade, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira
na revista científica Science. A data calculada pelos
cientistas pretende mudar radicalmente a maneira como a ciência vê a
formação da estrutura geológica. Estudos anteriores, com base na análise
do cascalho encontrado no rio Colorado, apontam que o cânion poderia
ter sido formado há "apenas" 5 ou 6 milhões de anos, ou ainda há 17
milhões de anos.
Instituição: University of Colorado, em Boulder, e California Institute of Technology, em Pasadena
Resultado: Por meio de uma técnica que mede a concentração de
hélio em minerais, os cientistas calcularam que o Grand Canyon, no
Arizona (EUA), pode ser mais antigo do que se pensava: ele teria cerca
de 70 milhões de anos. O resultado diverge bastante de outras medições,
que afirmaram que o cânion poderia ter de 5 a 6 milhões de anos, ou
ainda 17 milhões de anos. O debate sobre a idade do cânion existe há
pelo menos 150 anos.
Há 150 anos, os cientistas discutem a idade do cânion, que tem cerca de
2 quilômetros de profundidade, 29 quilômetros de largura e 450
quilômetros de extensão. Na mais atual pesquisa sobre o tema, novos
métodos mediram a concentração do gás hélio em minerais e indicaram que o
Grand Canyon é mais velho do que se imaginava. "Nossa pesquisa indica
que partes substanciais das porções oeste do Grand Canyon já estavam
escavadas há cerca de 70 milhões de anos", diz Rebecca Flowers, da
Universidade do Colorado, e uma das autoras do artigo. Os cientistas
acreditam que, provavelmente, o cânion foi escavado em diferentes
momentos e ritmos. Método — Rebecca e K. A. Farley, pesquisador do
Instituto de Tecnologia da Califórnia, calcularam a concentração do gás
hélio em alguns minerais encontrados nas rochas do cânion. Esse gás
escapa dos minerais sob temperaturas muito elevadas, acima dos 70ºC,
como aquelas encontradas nas camadas interiores da Terra. No entanto,
quando a erosão abre um cânion, as rochas esfriam, prendendo o hélio e
aumentando sua concentração. "A concentração de hélio pode ajudar os
cientistas a determinarem quando as rochas esfriaram", explica um texto
sobre a pesquisa, também na Science. Leia também: Fotos e vídeos de tirar o fôlego: pontes de vidro atraem turistas corajosos
"A existência de um Grand Canyon antigo tem importantes implicações
para entender a evolução das paisagens, a topografia, a hidrologia e a
tectônica do oeste dos Estados Unidos e das cadeias de montanhas em
geral", diz Rebecca Flowers.
Apesar dos resultados, o texto na própria Science ressalta que
o debate está longe de acabar. Karl Karlstom, da Universidade do Novo
México, analisou a concentração de hélio em minerais a apenas alguns
quilômetros de onde Flowers recolheu suas amostras. Os resultados, que
devem ser publicados em breve, sugerem que as rochas ainda estavam
aquecidas e a mais de um quilômetro abaixo da superfície da Terra entre
15 milhões e 20 milhões de anos atrás — o que reforçaria a tese de que o
Grand Canyon é bem mais novo do que Rebecca sugere.
Advogados famosos de São Paulo são
envolvidos em Operação da Polícia Federal que desmontou quadrilha
acusada de vender informações sigilosas
Flávio Costa
NOS AUTOS
Consta que o escritório da advogada Priscila Corrêa da Fonseca,
a "Rainha do Divórcio" usava dados secretos
Na semana passada, cenas pouco comuns aconteceram em conhecidos
escritórios de advocacia de São Paulo. Agentes da Polícia Federal
cumpriram mandados de busca e apreensão na sede das bancas e na casa da
advogada Priscila Corrêa da Fonseca, conhecida como “Rainha do Divórcio”
pelas separações milionárias nas quais atua, e do criminalista José
Roberto Leal de Araújo. Também foi alvo a casa do criminalista e cartola
Marco Polo Del Nero, vice-presidente da Confederação Brasileira de
Futebol (CBF) e presidente da Federação Paulista de Futebol. As
apreensões são decorrentes da Operação Durkheim, deflagrada com o
objetivo de desbaratar duas quadrilhas, uma que comercializava dados
sigilosos e outra que fazia remessas ilegaispara o Exterior. Elas
atuavam em cinco Estados e no Distrito Federal. Trinta e três pessoas
foram presas, inclusive dez policiais. Entre as 180 vítimas já
identificadas constam os nomes do líder do governo no Senado, Eduardo
Braga (PMDB-AM), do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do
ex-ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, e do ex-diretor-geral
do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz
Antonio Pagot.
Priscila, que chega a cobrar R$ 70 mil reais por uma consulta, não
aparece como investigada na lista obtida por ISTOÉ. Mas nos autos da
operação, atualmente na 2º Vara Criminal Federal de São Paulo, consta a
informação de que o escritório dela “se vale dos serviços das
‘detetives’ Eliane Francisca Pereira e Sueli Ramos de Lira para obter
dados sigilosos de pessoas físicas e jurídicas, inclusive, de pessoas
que figuram em processos judiciais nos quais atua”. Eliane levantou
dados do Imposto de Renda de uma mulher, em processo de divórcio, como
revela um e-mail anexado aos autos: “Capricha aí. Esse serviço é
conjugal, o objetivo é provar que ela tem como se sustentar
financeiramente”. Professora da Faculdade de Direito da Universidade de
São Paulo (USP), Priscila não está no Brasil. Em nota, sua assessoria
afirma que “é preciso deixar claro que a operação não investiga as
atividades desta banca de advocacia”.
Já o cartola Marco Polo Del Nero terá explicações a dar à Justiça.
Ele foi acordado no início da manhã da segunda-feira 19 por policiais
federais que recolheram documentos em seu apartamento. Del Nero foi
levado à sede da PF na capital paulista para prestar depoimento. Também
por nota, ele afirmou que contratou uma empresa para fornecer
informações sobre uma pessoa com quem ele pensava em estabelecer um
negócio, “sem relação com o mundo do futebol, nem com seu escritório de
advocacia”. Del Nero disse ter dispensado os serviços da empresa quando
percebeu que algumas informações demonstravam terem sido obtidas de
forma ilegal.
No escritório do criminalista José Roberto Leal de Araújo a Polícia
Federal foi atrás de documentos referentes a um suposto caso de
extorsão. Em outubro de 2010, o então prefeito de Indaiatuba (SP),
Reinaldo Nogueira, suspeito de desvio de verbas, afirma que um emissário
da banca de Araújo tentou extorqui-lo em R$ 2 milhões. Dizendo-se
surpreso com a ação da PF, o advogado se explicou: “Nós protocolamos um
pedido de apuração dos fatos na Justiça Federal para mostrar que o
prefeito não falava a verdade, mas esse inquérito não andou”, afirmou à
ISTOÉ.
A Operação Durkheim começou quando o corpo do policial federal
Richard Fragnani de Moraes, 40 anos, foi encontrado com um tiro na
cabeça, em dezembro de 2010, na cidade de Campinas. O inquérito da
Polícia Civil concluiu que Moraes se matou, mas estava envolvido no
núcleo policial da quadrilha que quebrava ilegalmente sigilos
telefônicos, bancários e fiscais de milhares de pessoas. Antes de
morrer, ele havia indicado ao Ministério Público paulista como atuava o
bando. “Nós especulamos que ele cometeu suicídio como forma de proteger a
família dele dos atos que ele tinha praticado”, afirmou o delegado da
PF, Júlio César Baida Filho.
O grupo atuava em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no
Pará, em Goiás e no Distrito Federal. O método de atuação dos criminosos
seguia o seguinte roteiro: funcionários públicos, gerentes de bancos e
empresas telefônicas recebiam valores exíguos para fornecer extratos
bancários, relatórios fiscais e contas telefônicas das vítimas. Os
intermediários passavam esses dados a clientes interessados, como
escritórios de advocacia, empresas e pessoas por valores que variavam de
R$ 300 e R$ 7 mil. A PF indica o vice-prefeito eleito de Nazaré
Paulista, Itamar Ferreira Damião, 54 anos, como o elo entre os
criminosos que quebravam sigilos e a quadrilha de doleiros que fazia
remessas ilegais para o Exterior. Damião é apontado pela PF como o líder
dos arapongas. Ele transitava com desenvoltura nos meios advocatícios e
policiais e conseguia facilmente os dados pedidos pelos clientes. “A
Operação mostrou uma espantosa banalização do direito da privacidade no
Brasil”, alertou o delegado da PF Valdemar Latence Neto.
Estava um
amigo num passeio em Roma quando, ao visitar a Catedral de São Pedro
ficou abismado ao ver uma coluna de mármore com um telefone de ouro em
cima.
Vendo um jovem padre que passava pelo local foi perguntar razão daquela ostentação.
O padre
então lhe disse que aquele telefone estava ligado a uma linha direta com
o paraíso e que se ele quisesse fazer uma ligação teria de pagar 100
dólares.
Ficou tentado com o trem, porém declinou da oferta.
Continuando
a viagem pela Itália encontrou outras igrejas com o mesmo telefone de
ouro na coluna de mármore. Em cada uma das ocasiões perguntou a razão
da existência e a resposta era sempre a
mesma:
Linha direta com o paraíso ao custo de 100 dólares a ligação.
Depois da
Itália, chegando ao Brasil, foi direto para Belo Horizonte. Ao visitar
a Catedral de Senhora da Boa Viagem, ficou surpreso ao ver novamente a
mesma cena: uma coluna de mármore com um
telefone de ouro.
Sob o telefone um cartaz que dizia: LINHA DIRETA COM O PARAÍSO - PREÇO POR LIGAÇÃO = R$ 0,25 (vinte e cinco centavos ).
Não
aguentou e disse : Uai.... padre viajei por toda a Itália e em todas as
catedrais que visitei vi telefones exatamente iguais a este, mas o preço
da chamada era 100 dólares. Por que aqui é somente
R$ 25 centavos?
O Padre sorriu e disse: meu amigo, você está em Minas Gerais. Aqui a ligação é local.
De onde vinha a influência de Rosemary de
Noronha, a mulher que se apresentava como “namorada” de Lula – e, com
isso, nomeava afilhados, interferia em órgãos do governo e recebia
recompensas
DIEGO ESCOSTEGUY E ALBERTO BOMBIG, COM LEOPOLDO MATEUS, MARCELO ROCHA, MURILO RAMOS, FLÁVIA TAVARES E LEANDRO LOYOLA
(>>Trecho da reportagem de capa da edição de ÉPOCA desta semana)
Uma triste passagem de bastão marcou a política brasileira na semana
passada: saiu de cena um escândalo político; entrou outro. De um lado, o
Supremo Tribunal Federal fez história ao definir as penas dos
condenados do mensalão. Treze dos réus, incluindo o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu,
vão para a cadeia em tempo integral – uma rara ocasião na história
brasileira em que poderosos pagarão por seus crimes. De outro lado, uma
nova personagem irrompeu na cena política nacional: Rosemary Nóvoa de Noronha, ou Rose. Falando em nome de um padrinho político poderoso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
Rose trabalhou pela nomeação de vários afilhados no governo federal. Ao
se dirigir a diretores de empresas estatais ou órgãos do governo, Rose
frequentemente se apresentava como “namorada” do ex-presidente. Um dos
afilhados de Rose, Paulo Vieira, foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro,
acusado de chefiar uma quadrilha que cobrava propinas de empresários,
em troca de pareceres jurídicos favoráveis em Brasília – fosse no
governo, nas agências reguladoras ou no Tribunal de Contas da União.
Rubens Vieira, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac),
irmão de Paulo e outro dos afilhados de Rose, também foi preso. Tão logo
o caso veio a público, na sexta-feira dia 23 de novembro, Rose foi
exonerada do cargo que exercia, como chefe do gabinete da Presidência em
São Paulo.
Como foi possível que Rose, uma simples secretária do PT, acumulasse
tanto poder e prestígio, a ponto de influenciar nos rumos do governo
federal – e causar tamanho salseiro? “A investigação demonstra que o
poder de Rose advinha da relação dela com Lula. Não há elementos,
entretanto, de que o ex-presidente soubesse disso ou tivesse se
beneficiado diretamente do esquema”, afirma uma das principais
autoridades que cuidaram do caso. “Lula cometeu o erro de deixar que
essa secretária se valesse da íntima relação de ambos”, afirma um amigo
do casal Lula e Dona Marisa. “Deveria ter cortado esse caso há muito
tempo.” Os autos do processo, de que ÉPOCA obteve uma cópia integral, e
entrevistas com os principais envolvidos revelam que:
1) Lula, ainda presidente da República, prestou – mesmo que não
soubesse disso – três favores à quadrilha. Por influência de Rose,
indicou os irmãos Paulo Vieira e Rubens Vieira para a direção,
respectivamente, da ANA e da Anac. Lula, chamado em e-mails de “chefão”
ou “PR” por Rose, também deu um emprego no governo para a filha dela, Mirelle;
2) A quadrilha espalhou-se pelo coração do poder – e passou a fazer
negócios. Os irmãos Vieira, aliados a altos advogados do PT que ocupavam
cargos no governo, passaram a vender facilidades a empresários que
dependiam de canetadas de Brasília;
3) Rose, gabando-se de sua relação com Lula, tinha influência no Banco do Brasil. Trabalhou pela escolha do atual presidente do BB, Aldemir Bendine,
indicou diretores (um deles a pedido de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro
do PT condenado no caso do mensalão), intermediou encontros de
empresários com dirigentes do BB e obteve um contrato para a empresa de
construção de seu marido;
4) Despesas do procurador federal Mauro Hauschild, do PT, ex-chefe de
gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e, depois,
presidente do INSS, foram pagas pela quadrilha. É uma situação similar à
do recém-demitido número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José
Weber Holanda – que, segundo a PF, recebeu propina;
5) A PF, mesmo diante das evidências de que Rose era uma das líderes da
quadrilha, optou por não investigá-la. Não pediu o monitoramento das
comunicações de Rose e não quis detonar a Operação Porto Seguro no
começo de setembro, quando a Justiça autorizara as batidas e prisões.
Esperou até o fim das eleições municipais.
De acordo com o relato feito a ÉPOCA por um alto executivo que
trabalhou na Companhia das Docas do Porto de Santos (Codesp), Rose
evocava sua relação com Lula para fazer indicações e interferir, segundo
seus interesses, nos negócios da empresa. Nessas ocasiões, diz o
executivo, Rose se apresentava como “namorada do Lula”. “Ela jogava com
essa informação, jogava com a fama”, diz ele.
Lula fez três favores à quadrilha dos pareceres enquanto era presidente da República
Uma história contada por ele ilustra o estilo de atuação de Rose. Em
2005, uma funcionária da Guarda Portuária passou a dizer na Codesp que
fora indicada para o cargo porque era amiga da “namorada do Lula”. O
caso chegou ao conhecimento da direção do Porto de Santos. Um diretor
repreendeu a funcionária e chegou a abrir uma sindicância para apurar o
fato – e ela foi demitida. O executivo conta que, contrariada, Rose
ligou para executivos para cobrar explicações e reafirmou o que a amiga
havia dito: “Eu sou a namorada do Lula”. Os executivos acharam que ela
blefava. “No começo, a gente não sabia que ela era tão forte”, diz um
deles. No Porto, ela foi responsável pelas indicações de Paulo Vieira e
do petista Danilo de Camargo, ligado ao grupo do ex-ministro José Dirceu
no PT. Os dois passaram a atuar em parceria com Valdemar Costa Neto, o
deputado pelo PR condenado à prisão por corrupção passiva e lavagem de
dinheiro no caso do mensalão, responsável por indicar o presidente da
Codesp.
Um dos interesses desse grupo era perdoar uma parcela da dívida da
empresa transportadora Libra com a Codesp. O valor da dívida era de R$
120 milhões. O acordo foi fechado no Ministério dos Transportes, então
controlado pelo grupo ligado a Costa Neto, e contou com o aval de
Camargo, presidente do Conselho de Administração. O PT de Santos,
liderado pela ex-prefeita Telma de Souza, ficou revoltado com os termos
do acordo e resolveu cobrar explicações de Camargo. Novamente Rose
entrou em ação para defender os interesses da Libra, do PR de Costa Neto
e de Paulo Vieira. Na ocasião, diz o alto executivo, ela evocou
novamente o nome de Lula. Nos telefonemas que dava aos petistas
contrários ao perdão da dívida, afirma ele, Rosemary sempre mencionava o
então presidente.
Rose tem 57 anos, começou jovem na militância política e sua turma,
dentro do PT, é uma turma das antigas. Seus principais interlocutores no
partido, além de Lula, são Paulo Frateschi, secretário de organização
do PT, e os já mencionados Camargo e Dirceu. Rose trabalhou como
assessora de Dirceu nos anos 1990. Acompanhou de perto sua ascensão à
presidência do PT. No total, foram 12 anos de parceria. Foi no período
em que trabalhava com Dirceu que Rose conheceu Lula. Em fevereiro de
2003, com Lula no Planalto, Rose se tornou assessora especial do
gabinete regional da Presidência em São Paulo. Em 2005, tornou-se chefe
da unidade. Seu poder no partido foi crescendo. Ela fazia triagem
informal dos currículos de candidatos a cargos do segundo escalão. Nessa
época, começou a exercer influência também no Banco do Brasil. Rose
trabalhou, de acordo com políticos e executivos do setor bancário, pela
indicação de Aldemir Bendine para a presidência do BB.
A proximidade com Bendine permitiu que Rose, em 2009, conseguisse um emprego para José Cláudio Noronha, seu ex-marido. Noronha ganhou a vaga de suplente no Conselho de Administração da Aliança Brasil Seguros, atual Brasilprev.
De acordo com as investigações da PF, Paulo Vieira forjou um diploma de
curso superior para que Noronha cumprisse uma exigência da Brasilprev e
assumisse a vaga. Em agosto do ano passado, o mandato de Noronha foi
renovado.
Rose era também próxima de Delúbio Soares,
o ex-tesoureiro do PT condenado a oito anos e 11 meses de prisão no
caso do mensalão. Os dois costumavam tomar café no Conjunto Nacional,
centro comercial próximo ao prédio do gabinete da Presidência. A pedido
de Delúbio, segundo executivos do BB, ela usou sua proximidade com
Bendine para conseguir a nomeação de Édson Bündchen para a
superintendência do BB em Goiás, em setembro passado.
Rose circulava tão bem no BB que pairava acima das disputas fratricidas
entre seus diretores. Era próxima também de Ricardo Flores,
ex-vice-presidente de crédito e ex-presidente da Previ, o bilionário
fundo de pensão dos funcionários do banco. Flores e Bendine travaram
embates corporativos constantes e são considerados inimigos. Isso nunca
impediu Rose de se sentir segura para pedir favores a ambos. Em 25 de
março de 2009, Rose pediu a Flores que examinasse um pedido de
empréstimo de cerca de R$ 48 milhões da empresa Formitex. Era um desejo
de Paulo Vieira – na época, ele ainda não era diretor da ANA. “Gostaria
que encaminhasse esses dados técnicos ao Dr. Ricardo (Flores)
e, se possível, conseguisse uma agenda para o Dr. César Floriano”, diz
Paulo em e-mail para Rose que consta do inquérito policial. Floriano era
um dos empresários que bancavam a quadrilha. Em 17 de agosto de 2009,
Rose encaminha outro e-mail a Paulo em que pergunta se “aquele assunto
do Flores foi resolvido”. Poucos minutos depois, Paulo responde: “As
coisas com o Flores estão caminhando bem, ele tem sido muito legal e
parece que vamos avançar bastante” (leia o e-mail abaixo).
De acordo com a investigação da PF, além do emprego para o ex-marido,
Rose usou seus contatos no BB para ajudar o atual, João Vasconcelos.
Documentos apreendidos pela polícia na casa de Rose, em São Paulo,
mostram que a construtora de Vasconcelos, a New Talent, obteve um
contrato de R$ 1,1 milhão – sem licitação – com a Cobra Tecnologia,
subsidiária do BB. Tratava-se de uma obra de adequação e reforma do novo
centro de impressão da empresa em São Paulo. Mais uma vez, Rose
recorreu a Paulo Vieira para forjar documentos. A Associação Educacional
e Cultural Nossa Senhora Aparecida, mantenedora da faculdade de
propriedade de Vieira em Cruzeiro, São Paulo, emitiu um falso atestado
de capacidade técnica para a New Talent conseguir o contrato com a
Cobra. Em maio de 2010, funcionários da Cobra encaminharam a Vasconcelos
o contrato com a New Talent. >>Continue lendo esta reportagem na edição de ÉPOCA desta semana >>Você também encontra ÉPOCA na banca da Apple no seu iPad >>ÉPOCA também pode ser lida nos tablets com sistema Android >>Assinante: Você pode ler ÉPOCA digital de graça. Siga as instruções
Navio turístico faz "milagre" para cruzar canal na Grécia
29 de novembro de 2012 • 17h00
• atualizado às 17h00
1 de 8
O canal separa a península do Peloponeso da parte principal da Grécia
2 de 8
Navio turístico realiza um verdadeiro
milagre para cruzar o canal que liga o Golfo de Corinto ao Golfo
Sarônico, no Mar Egeu. Os grandes cruzeiros modernos já não conseguem
passar pelo Estreito de Corinto, embora a travessia ainda seja uma
atração para os viajantes
3 de 8
O Canal de Corinto tem 6,3 km de comprimento e apenas 21 metros de largura
4 de 8
O estreito foi criado especialmente com fins econômicos, para que navios mercantes encurtassem a viagem
5 de 8
Usar o estreito evita que os navegadores precisem dar a volta em cerca de 400 km, em torno do Peloponeso
6 de 8
O canal foi construído entre 1881 e 1893, e considerado uma das mais espetaculares obras de engenharia do mundo
7 de 8
Trata-se de um canal escavado sobre a rocha do istmo de Corinto
8 de 8
Aproximadamento 11 mil barcos navegam regularmente pelo canal
A 20 dias do "fim do mundo": bunker vira mansão sob a terra
01 de dezembro de 2012 • 08h47
Empresas fazem bunkers que podem ser verdadeiras mansões embaixo da terra Foto: 2012 Terravivos.com/Divulgação
Aceita a teoria de que o mundo vai acabar, mas não aceita que
você vai acabar junto com ele? Você não está sozinho. Convictas de que o
propalado apocalipse maia se tornará realidade, algumas pessoas
decidiram desafiar profecias e cavar sua sobrevivência na Terra. Nem
todas têm certeza do que estão fugindo: chuva de meteoros, colisão com
outro planeta, inversão dos polos, tempestades solares, visitas de
extraterrestres. Essas são todas situações catastróficas baseadas,
supostamente, nos dizeres maias. Contra algumas, um bunker pode ser
útil. O que é um bunker
Os bunkers surgiram na Primeira Guerra Mundial - estendendo-se para os
demais conflitos bélicos que vieram a seguir. Serviam para proteger,
além dos soldados, combustível e munição de projéteis inimigos, que
poderiam danificá-los ou fazê-los explodir. Mais tarde, passaram a ser
utilizados também para proteção contra fenômenos naturais, como
tornados. "Bunkers são estruturas construídas abaixo do nível do solo,
geralmente reforçadas por concreto e chapas de aço, e que servem de
abrigo para pessoa ou grupo de pessoas", explica Irenaldo Pereira,
presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp) do
Distrito Federal.
Ele também dá uma pista sobre uma terceira finalidade que o bunker
adota nos dias atuais: proteção pessoal contra a criminalidade. Segundo
Pereira, há uma onda generalizada de insegurança, que se propaga mais
por indução do que pela falta real de segurança. Assim, as pessoas
reforçam suas residências com cercas elétricas, sistemas de
monitoramento, interfones e quartos seguros (cômodos secretos, altamente
reforçados, que servem como abrigo nas casas em caso de desastre ou
invasão do domicílio). "Isso tem levado as pessoas de poder econômico
mais elevado a adotar algumas medidas na intenção de aumentar a sensação
de segurança, uma vez que, em tese, passam a ser os alvos exatamente
pelo elevado poder aquisitivo", pontua Pereira, que também é
proprietário de uma empresa de segurança e vigilância.
Se uma casa bem munida de equipamentos de segurança não é o
suficiente, o bunker pode ser opção mais reforçada. "Nossa empresa
trouxe essa tecnologia ao Brasil no ano de 2010. Desde então, recebemos
várias solicitações referentes a esse produto", revela Wagner Hebling,
diretor da Bunker Brasil, empresa que, além da construção dos abrigos
abaixo do solo, faz blindagens arquitetônicas para grandes construtoras,
empresas e pessoas físicas. Situações catastróficas
Segundo Hebling, os bunkers de sua empresa são construídos para proteger
a vida dos clientes diante de pequenas ou grandes ameaças que possam
surgir, sejam elas naturais ou causadas pelo homem. No Brasil, raramente
atingido por fenômenos naturais de maior gravidade, o que motiva alguém
a adquirir um abrigo é geralmente o medo de outros seres humanos.
"Podemos dizer que as precauções dos nossos clientes são as mais
diversas. Vão desde proteção contra assaltos até adversidades mais
graves, que poderão gerar alterações sociais drásticas com as quais
muitas pessoas não estão habituados a se deparar". Para Pereira, os
temores aumentam devido às notícias de casos de violência veiculadas na
mídia. "A preocupação se deve aos fatos e crimes que são amplamente
divulgados na imprensa, como roubos em domicílio, roubos de e em
veículos e a modalidade criminosa que mais cresce atualmente, o dito
sequestro relâmpago", afirma.
Hebling cita outro caso particular que motiva as pessoas a planejarem
a construção de um bunker para a sua proteção. "Clientes solicitam
bunker também contra invasão de criminosos em suas propriedades rurais,
desejando um local seguro para a permanência de sua família até o
socorro policial chegar ao local, que muitas vezes é distante da área
urbana."
Um bunker pode ser construído para uma pequena família ou para um
grupo de mais de 100 pessoas. Além da estrutura de segurança, é
desenvolvido mobiliado, pronto para morar, de modo a oferecer conforto
aos refugiados. O número de cômodos e o tamanho varia, assim como o
preço, que pode ultrapassar R$ 1 milhão, dependendo da complexidade e
luxo. É concebido de maneira a ter seu fornecimento de água, energia
elétrica e telefone independentes do restante da casa. O tempo de
permanência em um bunker depende apenas da quantidade de suprimentos
estocados. Proteção antiapocalíptica
A americana Terravivos - especialmente seu CEO e fundador Robert Vicino -
tem ganhado notoriedade nos últimos anos. Especializada na construção
de monumentais bunkers - alguns deles são verdadeiras mansões debaixo da
terra -, a empresa não resguarda o menor pudor em fazer referência, em
sua comunicação publicitária, às profecias maias.
Apocalíptico, Vicino, com 20 anos de idade, já planejava construir um
abrigo para mais de mil pessoas, para proteção contra um possível
evento que extinguiria a humanidade. Quase 30 anos depois, em 2008,
mencionou a um pequeno grupo de empresários que não tinha levado a ideia
adiante pois o mundo não estava preparado para isso - ainda considerava
uma preocupação tola. A resposta dos empresários foi que o momento
havia chegado e que as pessoas estavam prontas para se proteger das
catástrofes hipotéticas.
"O mundo está no limite, tanto economicamente quando politicamente,
enquanto muitas previsões estão acontecendo. A profecia maia está no
fundo de nossas mentes, mas apenas como um sinal de que é tempo para se
preparar", afirma a diretora de mídia da Terravivos, Barbi Grossman.
Além de especular sobre o possível apocalipse maia, a empresa também
usa possíveis situações de terrorismo nuclear e anarquia ¿ provocada
pelas crises econômicas em larga escala ¿ como argumentos de venda. "As
interpretações apocalípticas sempre povoaram a cabeça das pessoas, e a
cada período surgem novidades no mercado tentando atrair compradores e
adeptos às suas ideias de 'salvação' das catástrofes. Mais recentemente
fala-se das interpretações do calendário maia", diz Irenaldo Pereira.
Apesar de, em várias ocasiões, Robert Vicino ter se manifestado
publicamente afirmando que uma grande quantidade de pessoas já havia
reservado ou adquirido bunkers, não existe uma estatística oficial sobre
essa procura ¿ segundo Pereira, por questões de segurança.
Wagner Hebling, diretor da Bunker Brasil, garante que seus clientes
não procuram adquirir abrigos subterrâneos motivados pelas
interpretações do calendário maia. "Eles não acreditam que o mundo irá
acabar, como o divulgado fim do mundo, por muitas mídias. Também não
acreditam que poderá acontecer algo realmente catastrófico em uma data
específica como algumas pessoas deduzem em relação ao calendário Maias",
afirma. Segundo ele, a empresa tem a sua opinião oficial e comunica
isso aos clientes. "A posição da empresa Bunker Brasil é bem clara.
Declaramos abertamente que não acreditamos no fim do mundo."
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Preocupados com sua segurança, muitas pessoas recorrem aos
abrigos conhecidos como bunkers. Empresas especializadas nesse tipo de
estrutura, como a Terravivos e a Bunker Brasil, podem construir até
verdadeiras mansões debaixo da terra - para quem puder pagar
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Os bunkers surgiram na Primeira Guerra Mundial - estendendo-se
para os demais conflitos bélicos que vieram a seguir. Serviam para
proteger, além dos soldados, combustível e munição de projéteis
inimigos, que poderiam danificá-los ou fazê-los explodir. Mais tarde,
passaram a ser utilizados também para proteção contra fenômenos
naturais, como tornados
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'Bunkers são estruturas construídas abaixo do nível do solo,
geralmente reforçadas por concreto e chapas de aço, e que servem de
abrigo para pessoa ou grupo de pessoas', explica Irenaldo Pereira,
presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp) do
Distrito Federal
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Enquanto a empresa brasileira reafirma que não acredita em
'apocalipse maia' e vendi seus produtos para proteger os clientes contra
ameaças reais, a americana Terravivos entre na onda do calendário maia
para aquecer suas vendas
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'O mundo está no limite, tanto economicamente quando
politicamente, enquanto muitas previsões estão acontecendo. A profecia
maia está no fundo de nossas mentes, mas apenas como um sinal de que é
tempo para se preparar', afirma a diretora de mídia da Terravivos, Barbi
Grossman.
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Wagner Hebling, diretor da Bunker Brasil, garante que seus
clientes não procuram adquirir abrigos subterrâneos motivados pelas
interpretações do calendário maia. A empresa brasileira, além da
construção dos abrigos abaixo do solo, faz blindagens arquitetônicas
para grandes construtoras, empresas e pessoas físicas
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'Eles não acreditam que o mundo irá acabar, como o divulgado
fim do mundo, por muitas mídias. Também não acreditam que poderá
acontecer algo realmente catastrófico em uma data específica como
algumas pessoas deduzem em relação ao calendário Maias', afirma
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Segundo Hebling, a empresa tem a sua opinião oficial e
comunica isso aos clientes. 'A posição da empresa Bunker Brasil é bem
clara. Declaramos abertamente que não acreditamos no fim do mundo'
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O bunker, além de desastres naturais, é vendido como uma opção
para defesa contra a criminalidade. Se uma casa bem munida de
equipamentos de segurança não é o suficiente, o bunker pode ser opção
mais reforçada
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'Podemos dizer que as precauções dos nossos clientes são as
mais diversas. Vão desde proteção contra assaltos até adversidades mais
graves, que poderão gerar alterações sociais drásticas com as quais
muitas pessoas não estão habituados a se deparar', diz Hebling
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Apesar de, em várias ocasiões, Robert Vicino, CEO da
Terravivos, ter se manifestado publicamente afirmando que uma grande
quantidade de pessoas já havia reservado ou adquirido bunkers, não
existe uma estatística oficial sobre essa procura ¿ segundo Pereira, por
questões de segurança
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'Clientes solicitam bunker também contra invasão de criminosos
em suas propriedades rurais, desejando um local seguro para a
permanência de sua família até o socorro policial chegar ao local, que
muitas vezes é distante da área urbana'
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Os especialistas nesse tipo de construção, afirmam que é
possível fazer um bunker para abrigar uma pequena família ou até para
grupos com mais de 100 pessoas. Além da estrutura de segurança, é
desenvolvido mobiliado, pronto para morar, de modo a oferecer conforto
aos refugiados
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O número de cômodos e o tamanho varia, assim como o preço, que
pode ultrapassar R$ 1 milhão, dependendo da complexidade e luxo. É
concebido de maneira a ter seu fornecimento de água, energia elétrica e
telefone independentes do restante da casa. O tempo de permanência em um
bunker depende apenas da quantidade de suprimentos estocados
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Além de especular sobre o possível apocalipse maia, a
Terravivos também usa possíveis situações de terrorismo nuclear e
anarquia ¿ provocada pelas crises econômicas em larga escala ¿ como
argumentos de venda
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'As interpretações apocalípticas sempre povoaram a cabeça das
pessoas, e a cada período surgem novidades no mercado tentando atrair
compradores e adeptos às suas ideias de 'salvação' das catástrofes. Mais
recentemente fala-se das interpretações do calendário maia', diz
Irenaldo Pereira