Extinção
Cientistas dizem que um cometa, não um asteroide, causou a extinção dos dinossauros
Dupla de pesquisadores afirma que o corpo celeste que atingiu o planeta era menor e mais rápido que um asteroide
Cometa Halley: pesquisadores propõem que um cometa pode ter causado a extinção dos dinossauros, não um asteróide
(NASA)
Há cerca de 66 milhões de anos, a Terra passava pela sua
quinta grande extinção,
que pôs fim ao reinado dos dinossauros. A explicação mais aceita a
respeito do que causou essa extinção em massa é o impacto de um
asteroide. Mas pesquisadores da Faculdade de Dartmouth, nos Estados
Unidos, atribuem esse evento a outro "visitante do espaço": um cometa.
Saiba mais
ASTEROIDES
São corpos celestes menores que planetas formados por rochas e metais,
que vagam pelo Sistema Solar desde sua formação, há 4,6 bilhões de
anos.
COMETAS
São corpos celestes formados por gelo, gases congelados e poeira.
PERÍODO CRETÁCEO
Última etapa da chamada "Era dos Dinossauros" compreendida entre 145 e
65,5 milhões de anos atrás. Foi marcada, em seu final, pela extinção de
todos os dinossauros não avianos.
PERÍODO TERCIÁRIO
Antigo período da era Cenozoica, que congregava as épocas Paleoceno,
Eoceno, Oligoceno, Mioceno e Plioceno. A partir de 1989, a Comissão
Internacional de Estratigrafia deixou de reconhecer o período Terciário.
Em seu lugar foi estabelecido o período Paleogeno (de 65 milhões a 23
milhões de anos atrás) – e, com isso, muitos geólogos passaram a adotar o
termo extinção K-Pl (onde Pl representa o período Paleogeno) em
substituição ao termo extinção K-T.
Asteroides são corpos celestes formados por rochas. Cometas são "bolas
de neve" formadas por uma mistura de gelo, gases congelados e poeira.
Quando se aproximam do Sol, os cometas se aquecem e se tornam
brilhantes. A poeira e os gases formam uma cauda que pode ter milhões de
quilômetros.
A teoria de que um asteroide causou a extinção dos dinossauros se
originou com as descobertas do físico americano Luis Alvarez e seu
filho, o geólogo Walter Alvarez, professor da Universidade da
Califórnia, em Berkeley. Em 1980, eles identificaram concentrações
elevadas do elemento químico irídio na fronteira K-T, que marca a
transição do período Cretáceo para o período Terciário, quando ocorreu a
extinção dos dinossauros.
O irídio é um elemento raro na crosta terrestre, mas é comum em rochas
espaciais, como asteroides. Para os Alvarez, isso indicava que um
asteroide havia colidido com a Terra nesse período, cerca de 66 milhões
de anos atrás. Essa teoria continuou em debate até 2010, quando um grupo
de 41 cientistas publicou um artigo em favor da hipótese dos Alvarez.
Leia tambémUma nova cara para os dinossauros
Dinossauros já estavam desaparecendo antes da extinção em massa, sugere estudo
Nova teoria — O local apontado como o ponto de colisão
é a Cratera de Chicxulub, soterrada abaixo da Península do Iucatã, no
México. Os pesquisadores da Faculdade de Dartmouth, Jason Moore e Mukul
Sharma, apresentaram em março, na 44ª Conferência de Ciência Lunar e
Planetária, realizada no Texas, um trabalho em que defendem que o corpo
celeste que provocou o impacto e criou Chicxulub é, na verdade, um
cometa.
A dupla de Dartmouth analisou os dados publicados sobre o irídio
presente na fronteira K-T, comparando-o com o ósmio, outro elemento
químico presente em rochas espaciais. Eles concluíram que a quantidade
de irídio acumulada era na verdade menor do que os cientistas haviam
estimado. Assim, o corpo celeste que atingiu a Terra também teria que
ser menor. Porém, um asteroide pequeno não seria capaz de gerar uma
cratera de 180 quilômetros de largura, como a de Chicxulub.
A explicação que melhor se ajustou a um corpo celeste com energia o
bastante para gerar tal cratera e que ao mesmo tempo possuísse material
rochoso em menor quantidade foi a colisão com um cometa. "Nós propomos
um cometa porque eles possuem uma porcentagem menor de irídio e ósmio em
relação à sua massa do que asteroides. Um cometa em alta velocidade
teria energia suficiente para criar uma cratera de 180 quilômetros de
largura", afirma Moore.