Rombo nas contas do governo em fevereiro chega a R$ 3 bilhões
Nos dois primeiros meses
do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumula saldo
positivo de 9,876 bilhões de reais — valor 50% inferior ao do mesmo
período de 2013
Superávit no bimestre recua 50%, aponta o Tesouro
(Marcelo Sayão/EFE)
O governo central - formado pelo governo federal, Banco Central e
Previdência Social - registrou déficit primário de 3,078 bilhões de
reais em fevereiro, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira. Nos
dois primeiros meses do ano, a economia feita para o pagamento de juros
acumula saldo positivo de 9,876 bilhões de reais. No entanto, o saldo
bimestral é 50% inferior ao que foi registrado no mesmo período de 2013 e
o pior desde 2009.
Em fevereiro, as despesas do governo central atingiram 68,354 bilhões
de reais, enquanto a receita líquida ficou em 65,275 bilhões de reais.
No ano, os gastos somam 158,5 bilhões de reais, com alta de 15,5% em
relação a igual período do ano passado, impulsionados por despesas
maiores com o pagamento de benefícios sociais, servidores e com a
máquina pública. No mesmo período, a receita totalizou 168,342 bilhões
de reais, com aumento bem menos expressivo de 7,3% na comparação com
2013.
O resultado veio negativo mesmo levando-se em conta a arrecadação recorde do mês passado
e o fato de o Tesouro ter lançado mão de 2,892 bilhões de reais
em dividendos das estatais para incrementar sua receita, dos quais 2
bilhões de reais são provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e 700 milhões de reais da Caixa Econômica
Federal. Leia também: BC projeta crescimento de 2% e inflação acima de 6% Ministro do TCU autoriza abertura de auditoria na CDE
O Tesouro também informou que transferiu 1,05 bilhão de reais para a
Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) no primeiro bimestre deste
ano. Em 2014, está previsto um aporte de até 13 bilhões de reais, sendo 9
bilhões de reais para bancar as indenizações às distribuidoras e 4
bilhões de reais para atenuar o impacto do aumento do preço de energia
no mercado livre no caixa das elétricas. Leia também: Crise de energia pode comprometer meta fiscal
Apesar do resultado primário ruim, os investimentos do governo
federal apresentaram um crescimento de 22,7% no primeiro bimestre de
2014 e somaram 15,1 bilhões de reais, ante 12,3 bilhões de reais no
mesmo período do ano passado. Os investimentos incluídos no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) somaram 11,1 bilhões de reais, com alta
de 43,3% em comparação com o primeiro bimestre de 2013, quando foram
gastos 7,7 bilhões de reais.
A meta fiscal de 1,9% do PIB para o ano foi anunciada
pelo ministro da Fazenda Guido Mantega em fevereiro, mostrando uma
tentativa do governo de trabalhar com números mais realistas. Esse
porcentual representa uma economia de 99 bilhões de reais para pagar os
juros da dívida.
Na segunda-feira, foi justamente o desempenho fiscal ruim que fez com
que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixasse a nota de crédito do Brasil de BBB para BBB-.
Cada vez mais brasileiros desaprovam o governo do PT e de Dilma
Rousseff. É o que constatou a pesquisa CNI/Ibope divulgada na manhã
desta quinta-feira (27). De acordo com a pesquisa, o número de pessoas
que considera o governo Dilma ótimo ou bom caiu de 43% na última
avaliação, em novembro, para 36% nesta de março. Na outra ponta,
cresceu, entre os entrevistados, a quantidade de pessoas que consideram o
governo do PT ruim ou péssimo (passou de 20% para 27%). Outros pontos
da pesquisa identificaram queda também do percentual da população que
aprova a maneira de governar da presidente (caiu de 56% para 51%) e na
parcela da população que confia na presidente (que recuou de 52% em
novembro para 48% agora).
Segundo a pesquisa CNI/Ibope, em nenhuma das nove áreas de atuação
avaliadas o percentual dos que aprovam supera o dos que desaprovam as
ações do governo. São analisadas as áreas de educação, saúde, combate ao
desemprego, segurança pública, combate á fome e à pobreza, meio
ambiente, impostos, combate à inflação e taxa de juros. Na área de
educação subiu de 58% para 65% a quantidade de pessoas que desaprovam o
governo Dilma. Em saúde, o índice de desaprovação subiu de 72% para 77%,
e em segurança pública, subiu de 70% para 76%. No combate ao
desemprego, a desaprovação subiu de 49% para 57%, no meio ambiente de
47% para 54%, em relação a impostos o governo passou a ser desaprovado
por 77% (contra 71% da pesquisa anterior), no combate à inflação houve
aumento de 63% para 71% na desaprovação, enquanto na taxa de juros o
índice passou de 65% da última pesquisa para 73% nessa atual.
Veja a pesquisa na íntegra aqui.
Estudo liderado por brasileiro descobre primeiro asteroide rodeado de anéis
Astrônomos identificaram
no asteroide Chariklo dois anéis de gelo; até então, fenômeno tinha sido
visto apenas em planetas gigantes
Imagem produzida por um artista mostra os anéis perto da superfície do asteroide Chariklo
(ESO/L. Calçada/Nick Risinger (skysurvey.org))
Astrônomos descobriram anéis em torno de um asteroide de cerca de
250 quilômetros de diâmetro, o menor objeto já detectado a ter anéis.
Anteriormente, o fenômeno só havia sido visto em planetas gigantes como
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
A descoberta, publicada online nesta quarta-feira no periódico Nature,
foi obra do acaso, segundo o líder da pesquisa, o brasileiro Felipe
Braga-Ribas, do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. As observações
foram feitas a partir de treze telescópios em onze pontos da América do
Sul, entre eles o Observatório de La Silla do Observatório Europeu do
Sul, no Chile, em 3 junho de 2013.
Ao observar a estrela UCAC4 248-108672, os astrônomos visualizaram
uma escuridão por alguns segundos. O motivo, já previamente calculado,
seria a passagem de um asteroide à frente da estrela. O que os
cientistas não esperavam eram dois pontos luminosos aparecerem antes e
depois da passagem do objeto, sugerindo que ele seria cercado por anéis.
Trata-se da primeira evidência de que anéis podem circundar qualquer
objeto no Sistema Solar, não apenas planetas gigantes. Os astrônomos
constataram dois anéis pequenos feitos de gelo, um de 7 quilômetros e
outro de 3 quilômetros de diâmetro, ao redor de Chariklo, como o
asteroide foi denominado. Leia também: Astrônomos descobrem segundo cometa 'brasileiro'
Formação —
Os anéis são considerados o primeiro passo da formação de uma lua ou de
um planeta. Acreditava-se que asteroides, por seu tamanho
comparativamente pequeno, não poderiam ter anéis. “Encontrá-los em um
objeto pequeno foi inesperado”, diz Felipe Braga-Ribas.
Ainda não se sabe como os anéis se formam. Acredita-se que eles sejam
oriundos de restos de materiais resultantes de uma colisão que tenha
ocorrido perto de um corpo celeste.
Chariklo pertence a uma classe de objetos chamada centauros, que
atravessam o Sistema Solar em órbitas instáveis e podem se dividir entre
asteroides e cometas. "Por eles serem muito pequenos e escuros e
estarem muito longe da Terra, é difícil estudá-los", afirma Braga-Ribas.
'É fechar a torneira e rezar', pede Conselho Mundial da Água
Especialista em recursos hídricos, Benedito Braga cita motivos pelos quais São Paulo passa pela maior crise da história
Benedito Braga diz que polêmica envolvendo projeto do rio paraíba do Sul poderia ter sido evitada
Foto: Thiago Tufano / Terra
Thiago TufanoDireto de São Paulo
“A curto prazo não há o que fazer. É uma situação
absolutamente inédita e trágica. Agora temos que fechar a torneira e
rezar”. Presidente do Conselho Mundial da Água, o brasileiro Benedito
Braga, também professor de engenharia ambiental da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo (USP), é bastante realista em relação aos
problemas de desabastecimento de água do estado de São Paulo,
principalmente do sistema Cantareira, que fornece água para quase metade
da população paulista.
Nesta quarta-feira, o nível do maior reservatório de
água do Estado bateu recorde mínimo de 14,1%. A Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o governador Geraldo Alckmin já
haviam acendido o alerta vermelho quando o nível baixou de 35%, ainda
em dezembro do ano passado, volume considerado “de segurança por
especialistas”.
Benedito Braga acredita que três fatores fizeram com que
a situação se tornasse alarmante: falta de chuva na região, que segundo
o especialista é o principal motivo da seca; uso desenfreado da água
existente; e complexidade na realização de obras e infraestrutura
hídrica.
“Criou-se um emaranhado de leis e instituições no
sentido de preservar a natureza, mas o resultado prático operacional é
complicadíssimo. O projeto, que a implantação nos EUA ou Alemanha
levaria um ou dois anos, aqui se levam dez porque depois que se decide
tudo, com tem todas as licenças, vem o Ministério Público e diz:
‘espere, vocês falharam aqui’. E a obra é parada. Fora quando não muda
de governante e interrompe o projeto. Isso precisa mudar. Precisa ser
sim ou não no prazo de no máximo um ano. Precisamos de um sistema de
infraestrutura hídrica que não dependa tanto de uma complexidade para
implementação. Precisa ter coragem”, disse o presidente do Conselho
Mundial da Água.
Em relação à polêmica entre Alckmin e o governador do
Rio de Janeiro Sergio Cabral sobre a retirada de água do rio Paraíba do
Sul para abastecimento em São Paulo, obra que ficaria pronta apenas em
dois anos, Benedito Braga acredita que não era necessário que o
governante paulista reportasse à presidente Dilma Rousseff e muito menos
à Agência Nacional de Águas.
“Esse reservatório foi construído com recursos do
governo de São Paulo, o rio é estadual de São Paulo. A ANA não tem nada a
ver com esse assunto, não sei por que vivem dizendo que a ANA tem que
dar autorização. A responsabilidade dos rios do estado é do Estado.
Claro que o governo de São Paulo não vai fazer isso sem se articular com
a ANA, mas não perguntar se pode”, explicou.
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href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/racionamento-de-agua/">Racionamento
de água - dicas de como economizar
água</a>
Veja a entrevista com Benedito Braga na íntegra:
Terra: Como o desabastecimento poderia ter sido evitado?
Benedito Braga: É uma pergunta difícil
porque na hidrologia trabalhamos com níveis de risco. Quando você
dimensiona um sistema você coloca na balança o risco e o custo.
Obviamente que risco zero significa custo infinito, então é impossível
fazer. Economias mais sólidas podem correr menos riscos porque têm mais
recursos financeiros para executar suas obras. No caso que estamos
passando foi feito um dimensionamento com base num conjunto de
informações de dados de uma série que chamamos de histórica. O que está
acontecendo é que estamos tendo uma percepção ainda não totalmente
confirmada de que essa série histórica não é estacionária, ou seja, ela
tem altos e baixos, mas ela tem uma média que não muda com o tempo. O
que temos observado nos últimos dez anos é que essas séries estão dando
uma impressão de que não são estacionárias, de que o regime de chuva
pode estar mudando. A observação que tivemos nesse ano hidrológico
2013/2014, é que tivemos uma afluência muito abaixo do esperado, então
estamos numa situação hidrologicamente anômala. Não sei dizer se
tivéssemos um reservatório muito maior que o Cantareira se teria
resolvido o problema. É a maior crise da história. Nunca aconteceu nada
semelhante. Se olhar os reservatórios do Sudeste, estão num regime de
queda, que é um sinal de que algo importante está acontecendo. Não estou
dizendo que vai acabar a chuva, não sou profeta do apocalipse. Mas os
estudos hidrológicos tem que merecer uma atenção especial dos
cientistas, técnicos e engenheiros.
Terra: Os governos insistem em dizer que a culpa é do clima. É mesmo só do clima?
Benedito Braga: A hidrologia está
estranha. Ficamos dez anos com chuvas baixas, aí vem uma grande
inundação e de 2011 pra cá só cai. De repente pode dar uma grande
inundação e depois cai. Ou seja, isso já sabíamos, que a variabilidade
dos sistemas hidrológicos tende a aumentar. Teremos períodos mais longos
de seca, como estamos observado, e cheias mais intensas. Como você
resolve esse problema? Aumentando a sua reservação. Tem que reservar
mais água. Porque quando vem a enchente você acumula aquela água. O
Cantareira não adianta aumentar porque foi até grande demais. Mas tem
que aumentar a reservação em todos os lugares que você puder. Além
disso, há na cultura do Sudeste e do Sul, de abundância de água e uso
não parcimonioso. Isso está na nossa população, a ideia de que nunca vai
faltar água. Isso contribui numa situação extrema. O fator climático é o
principal. E uma terceira coisa é que planos de recursos hídricos na
região já indicavam que um conjunto de obras tinha que ser feito. No meu
ponto de vista, há um problema no Brasil no tema ecologia. A
constituição diz que todos têm direitos, mas ninguém pensou nos deveres.
Cria-se um conjunto de instituições e leis para preservar o meio
ambiente e criou-se um emaranhado no sentido de preservar a natureza,
mas o resultado prático operacional é complicadíssimo. O projeto que a
implantação nos EUA ou Alemanha levaria um ou dois anos, aqui levam dez,
porque depois que se decide tudo, com todas as licenças, vem o
Ministério Público e diz ‘Espera, vocês falharam aqui’. Então para a
obra por não sei quanto tempo. Fora quando não muda de governante. Isso
precisa mudar. Existiam as leis trabalhistas e criou-se a CLT, então
precisamos ter a CLA, a Consolidação das Leis Ambientais para dar mais
operacionalidade e de fato conservar o meio ambiente. Precisa ser sim ou
não no prazo de no máximo 1 ano. Precisamos de um sistema de
infraestrutura hídrica que não dependa tanto de uma complexidade para
implementação. Precisa ter coragem.
Terra: Mas já não se sabia que isso iria acontecer, já que não é uma mudança climática recente?
Benedito Braga: Não se sabia que isso
iria acontecer. Sabíamos que teríamos problema, mas o tamanho do
problema é maior do que a gente imaginava. É o que eu disse há quatro
anos, falei que para ficar atento que iria faltar água em São Paulo.
Porque uma série de infraestruturas que já tinham que ter começado a ser
feitas não estavam sendo feitas. Como essa obra do Paraíba do Sul. Essa
obra já está prevista em planos da Sabesp em 2008. O motivo que não foi
feita eu não sei. Sou apenas um professor da USP. Problemas complexos e
grandes têm sempre uma solução simples e barata. Não tem solução
simples pra esse problema, nem barata. É como as enchentes de São Paulo.
Imaginar que vamos resolver isso com R$ 10 milhões. Nunca. Vai chegar
ao bilhão. A cidade cresceu além do seu limite sustentável e hoje
paga-se esse preço, além de consumir de forma inadequada e a dificuldade
de se fazer obra. A curto prazo não tem nenhuma obra, não há o que
fazer. E a longo prazo é a obra do Parnaíba do Sul. Além disso, tem um
projeto da década de 70, que era trazer água do rio Juquiá, o rio mais
caudaloso do Vale do Ribeira. É uma obra vultosa. Mas traria uma
quantidade enorme de água para São Paulo, e muito cara. Talvez valesse
até a pena revisitar esse projeto que tinha um conceito para viabilizar
economicamente uma usina hidrelétrica reversível. Chego a sugerir que
esse projeto fosse revisitado em função dessa situação anômala. Se essa
variabilidade vai aumentar, vai acontecer de novo e não dá para estar
preparados com soluções pequenas.
Terra: Por que já não tínhamos bombas para usar o volume morto?
Benedito Braga: Não era preciso. A
captação da água para trazer para São Paulo é por túneis. A água vem por
gravidade e é coletada em diferentes profundidades. Quando se projeta
um reservatório, existe o volume útil, que são os 990 milhões. Quando
essa água está correndo, ela fica marrom porque tem sedimento em
suspenção e quando a água para, esse sedimento decanta e se deposita
embaixo. O volume morto é um volume para provisionar um espaço para os
sedimentos. Ele é morto porque não posso contar com ele. Dimensiono uma
obra para ela viver 50 anos. E nesse tempo imagino que esse volume vai
estar perdido pelos sedimentos. Não vai ser necessário usar e nem tem
como usar. Esse sedimento você pode até manter, por isso que chama
volume morto. Esse volume do Cantareira não tem tanto sedimento ainda,
então você tem uns 300, 400 milhões de metros cúbicos que podem ser
utilizados. Tenho que colocar bombas para puxar a água. Ninguém nunca
imaginou que iria usar o volume morto. São Pedro foi tão cruel com a
bacia do Alto Piracicaba, Atibainha, etc, que vai ser necessário usar.
Terra: A respeito dessa polêmica do Paraíba do Sul, dá pra dizer que o Cabral ou o Alckmin está certo?
" Se eu fosse govenador de São Paulo teria levado essa conversa de um outro jeito"
Benedito Braga
Benedito Braga: Não vou dizer quem está
certo ou errado. Vou explicar. Temos o reservatório Atibainha e Igaratá
e quando a barragem não tinha sido construída, o rio aumentava e
diminuía a vazão dependendo da chuva. Existe uma vazão que chamamos de
garantia de 95%, que está disponível no rio durante 95% do tempo. Quando
não tinha esse reservatório, esse “Q95” que chamamos era de 5,8 metros
cúbicos. Depois que construiu o reservatório essa vazão passou para 10
metros cúbicos. Então com a obra que são Paulo construiu num afluente do
rio Paraíba do Sul, o Rio de Janeiro ganhou 4,2 metros cúbicos por
segundo. Resolveu o problema de enchente e garantiu 4,2 para o Rio. Se
eu fosse govenador de São Paulo teria levado essa conversa de um outro
jeito. São Paulo está pegando de volta o que já deu, se quiser pensar
dessa maneira. E se quiser pensar de outra maneira, 5 metros cúbicos por
segundo em relação aos 130 que o Rio transfere do Paraíba para a cidade
é um número insignificante. Esse reservatório foi construído com
recursos do governo de São Paulo, o rio é estadual de São Paulo. A ANA
não tem nada a ver com esse assunto, não sei por que vivem dizendo que a
ANA tem que dar autorização. A responsabilidade dos rios do estado é do
Estado. Claro que o governo de São Paulo não vai fazer isso sem se
articular com a ANA, mas não perguntar se pode.
Terra: Essa interligação pode prejudicar o abastecimento do Rio de Janeiro?
Benedito Braga: Não vai prejudicar o
Rio de janeiro. É um volume muito pequeno em relação ao montante. É um
volume pequeno para o Rio de Janeiro, mas fundamental pra gente. Cada
gota conta aqui. Não precisavam fazer nada disso, mas o governador teve
uma atitude simpática e correta ao ir falar com a presidente, etc.
Terra: Além das bombas para usar o volume morto,
o que mais pode ser feito para evitar que o desabastecimento aconteça
desta forma?
Benedito Braga: A curto prazo não há o
que fazer. Essa obra do Paraíba do Sul pode ser mais uma daquelas obras
que nunca existirão por conta da legislação e das instituições. Nós
hidrólogos fomos surpreendidos. Um janeiro com 10% da chuva é impensável
na região sudeste. É uma situação absolutamente inédita e trágica. Não é
só São Paulo, o Nordeste está numa situação mais complicada, são três
anos de seca. E por que o Ceará não está com tanto problema? Porque o
governo de lá investiu em sucessivos governos na infraestrutura hídrica,
independente de partido politico. Houve uma continuidade no plano.
Nosso Conselho Mundial esteve na ONU para que os estados membros
fizessem um pacto pela segurança hídrica. É uma situação que vai para o
nordeste, para Amazônia, etc, até para fora do País. Estamos batalhando
para que entendam que o problema disso não é o clima, mas sim a água.
Mas agora temos que fechar a torneira e rezar.
Imagem 38/38:
CAMARÃO GIGANTE DA ERA CAMBRIANA - Concepção artística
mostra o "Tamisiocaris borealis", um camarão gigante que dominava as
águas durante o período cambriano. Em estudo publicado na Nature, esta
criatura marinha que viveu entre 485 e 540 milhões de anos atrás é
descrita não como uma predadora como tubarões e baleias, mas tinha o
início do que seria a alimentação por filtragem da água do mar. Fósseis
do animal, coletados de sedimentos cambrianos no norte da Groenlândia,
mostram que a transição para este tipo de alimentação começou cedo na
evolução de organismos multicelulares. Em vez de garras para segurar as
presas, este usava os apêndices como pentes para juntar plâncton do mar.
Os apêndices tinham espinhos finos e espaçados, divididas por espinhos
ainda menores, que serviam para capturar o alimento. A presença deste
"filtro" sugere ainda que existia grande quantidade de plâncton no
cambriano
De ilha particular a resort de luxo no Pacífico, o excêntrico Laucala
Laucala: ilha no Pacífico que tem um dos hotéis mais luxuosos do mundo
O americano Malcom Forbes tinha praticamente todos os “brinquedos”
que um excêntrico poderia querer: um Boeing 727, cinco iates de luxo,
balões de ar, um château na França e uma enorme coleção de
Harley-Davidsons. Mas entre todos eles, apenas um ele declarou que nunca
queria se separar nem depois de dua morte: Laucala, uma ilha perto de
Fiji, na qual ele está enterrado.
E se Laucala realmente não for o paraíso, nada mais pode ser. Essa
ilha de 14 mil m² no Pacífico possui águas cor de turquesa e uma
natureza exótica de cair o queixo. Por sorte, seu novo proprietário,
Dietrich Mateschitz, bilionário e dono da Red Bull, foi enfático sobre o
queria fazer do lugar: um resort que interferisse o menos possível na
natureza. Um lugar encantador e luxuoso.
Hoje em dia, apenas uma pequena parte ao norte da ilha é desabitada. O
resto virou parte do hotel 5 estrelas, que conta com 25 “villas”
voltadas para o mar, cada uma com sua própria piscina e jardins
tropicais cuidadosamente pensados. Além disso, o resort conta com um
centro de diversões equipado com um submarino, pelo qual Mateschitz
pagou mais de R$ 3 milhões.
O Laucala Island Resort é reservado: são no máximo 80 visitantes por
vez, e cerca de 350 funcionários, o que faz dele o hotel mais bem
servido do mundo. Há também spa, campo de golfe e restaurantes
comandados por chefs renomados -especializados em menus internacionais
que misturam os exóticos temperos tailandeses com peixes frescos. O
preço das diárias? Em torno de R$ 14 mil, dependendo do pacote, mas cada
pessoa deve ficar no mínimo quatro dias na ilha.
Ah, o paraíso particular foi comprado por Dietrich Mateschitz em 2003 por R$ 23 milhões.
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Laucala Island Resort, em Fiji
Entre as serras da Bocaina e do Mar, no município de Cunha (a 231 km de
São Paulo), nasce uma das partes do rio que é objeto de disputa entre
São Paulo e Rio de Janeiro.
Na mata fechada, um fio de água forma o rio Paraibuna, que junto ao Paraitinga forma o Paraíba do Sul.
A nascente do rio já passou por dias melhores, garantem os moradores da cidade.
"Em Cunha, onde você fura sai água, de maneira geral. Hoje, porém, não
está mais assim", diz o aposentado Lourival Antero dos Santos, 80.
A auxiliar de serviços gerais, Benedita Aparecida, 49, vizinha da
nascente do Paraibuna, diz que nunca viu tão pouca água no local. "Está
bem mais seco que o normal", afirma.
Zanone Fraissat/Folhapress
Cachoeira dos Pimentas, em Cunha, onde nasce o rio Paraibuna, que dá origem ao rio Paraíba do Sul
Apesar de lamentar os efeitos da seca, ambos são a favor da transposição
do Paraíba para abastecer São Paulo. "Se eles estão precisando, temos
que ajudar no máximo que podemos", diz Benedita.
Já o guia e tecnólogo em meio ambiente Nilton Raposo de Mello, 43, morador de Cunha, é contra o projeto.
"Vai afetar o ecossistema da região. Cunha não vai sofrer, mas na região
onde deve acontecer o projeto, o impacto existirá com certeza".
A transposição deve ser feita próximo à região da represa de Paraibuna e
do reservatório do Jaguari, no Vale do Paraíba. A ideia é abastecer o
sistema Cantareira, que está no nível mais crítico da história.