Conheça a piscina natural mais perigosa do mundo; Veja fotos
Situada à beira de um penhasco, a Devil’s Pool possui
105 metros de altura e é a sensação de turistas corajosos e destemidos
que vão conhecer as Cataratas Victória, na África
24 de Fevereiro de 2014. Publicado por Dennys Marcel
As
cataratas possuem 1,5 km de extensão e alcançam os 128 metros de
altura, além de serem consideradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela
UNESCO - Foto: Divulgação/Victoria Falls
Considerada a mais excitante atração turística da África, a Devil’s
Pool está localizada nas Cataratas Victória, uma das maiores cachoeiras
do mundo, situada no rio Zambeze, entre a fronteira da Zâmbia e
Zimbábue. É o lugar perfeito para turistas que buscam aventura, contato
com a natureza e um momento inesquecível que certamente renderá boas
histórias.
As cataratas possuem 1,5 km de extensão e alcançam os 128 metros de
altura, além de serem consideradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela
UNESCO desde 1989. Anualmente, é visitada por milhares de turistas e
aventureiros que buscam adrenalina e descontração.
O local foi descoberto pelo escocês David Livingstone em novembro de
1855 e o nome das cataratas foi dado em homenagem à rainha Victória
(Reino Unido). Abaixo das cataratas, o rio entra em sete grandes
gargantas onde a queda d’água passa por sítios arqueológicos com mais de
2 milhões de anos. No local foram encontrados artefatos de pedras dos
Homo habilis, assim como armas e enxadas do período neolítico.
A vegetação da região é composta por “árvores de madeira preciosa”,
como o pau-preto, o jambirre e outras espécies da flora zambeziânica,
além das enormes figueiras.
Na estação da seca ocorre um espetáculo a parte. Com o nível d’água
baixo é possível ver manadas inteiras de elefantes, búfalos, girafas,
zebras e grupos de hipopótamos atravessando o rio.
Para fazer o passeio até a famosa piscina é essencial o
acompanhamento de guias. Da entrada do parque até a piscina, os turistas
enfrentarão aproximadamente 1 hora de caminhada, passando por trajetos
de pedras, atravessando pequenas ilhas e até mesmo nadando em alguns
trechos do rio. O valor do passeio custa em torno de U$ 60 por pessoa
(cerca de R$ 140). Neste preço está incluso o guia, o fotógrafo
profissional para tirar fotos espetaculares, toalhas, refrigerantes,
alimentação e água. O visual e a diversão são cortesias!
A dica é conhecer o local entre setembro e dezembro, pois somente
neste período é possível se aventurar a dar um mergulho na Devil’s Pool.
Embora os turistas tirem fotos a poucos centímetros do penhasco, a
piscina natural tem um espaço que permite que os aventureiros nadem e
mergulhem com segurança, além de se deslumbrarem de uma vista de 'tirar o
fôlego'.
As Cataratas Victoria são um dos lugares mais visitados da África,
ultrapassando a marca de 300 mil turistas ao ano. A região possui hotéis
de luxo e explora o turismo de forma responsável e profissional, além
da piscina natural, o turista também tem a opção de conhecer o local com
passeios de barcos e até mesmo de helicópteros. São muitas opções
proporcionadas para que os visitantes tenham uma das melhores emoções de
sua vida. Confira fotos da Devil's Pool na Victória Falls
Considerada
a mais excitante atração turística da África, a Devil’s Pool fica
localizada nas Cataratas Victória, uma das maiores cachoeiras do mundo -
Foto: Divulgação/Victoria Falls
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As cataratas Victória são consideradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1989 - Foto: Divulgação/Victoria Falls
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Embora
os turistas tirem fotos a poucos centímetros do penhasco, a piscina
natural tem um espaço que permite que os aventureiros nadem e mergulhem
com segurança. - Foto: Divulgação/Victoria Falls
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É o lugar perfeito para turistas aventureiros e corajosos - Foto: Divulgação/Victoria Falls
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A
dica é conhecer o local entre setembro e dezembro, pois somente nesta
época do ano é possível se aventurar e dar um mergulho na Devil’s Pool -
Foto: Jadson Wharam
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As
Cataratas Victoria são um dos lugares mais visitados do mundo,
ultrapassando a marca de 300 mil turistas ao ano - Foto: Maria Eduarda
Chhaya
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Situada à beira de um penhasco, a Devil’s Pool possui 105 metros de altura - Foto: José Carlos Yuon
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Para fazer o passeio até a famosa piscina é essencial o acompanhamento de guias - Foto: Maria Eduarda Chhaya
Dilma condena "pessoas que escondem o rosto para se manifestar"
Em entrevista a rádios, presidenta prometeu reforço na segurança para a Copa do Mundo
Terra
Em entrevistas a rádios alagoanas nesta quarta-feira, a presidente
Dilma Rousseff elevou o tom, reprovou o anonimato em manifestações –
algo já expressado pelo governo – e prometeu reforço na legislação que
iniba que manifestantes escondam suas identidades. A presidente prometeu
um protocolo comum de atuação das policias militares nos Estados e
assegurou que o governo federal está trabalhando para oferecer segurança
durante a Copa do Mundo.
“Pessoas que escondem o rosto para se manifestar não são democratas.
Pessoas que matam, ferem ou destroem o patrimônio público são criminosos
e devem ser tratados como tal”, afirmou Dilma. “É preciso reforçar a
lei e aplicar a Constituição, que garante liberdade de manifestação, mas
veda o anonimato. Então estamos trabalhando numa legislação para coibir
toda forma de violência das manifestações.”
Para o governo federal, é ponto pacífico que haverá outra onda de
protestos durante a Copa do Mundo. Para tentar minimizar o movimento, o
governo estuda lançar uma ofensiva publicitária para convencer a opinião
pública de que receber o mundial trará legados importantes para o País.
Às rádios, Dilma prometeu ainda reforço específico da segurança pública
durante o evento máximo do futebol.
“Vamos aumentar a segurança nas cidades-sede dos jogos”, garantiu a
presidente afirmando que “todos os órgãos (de segurança pública) estão
prontos e orientados a agir dentro de suas competências”. “Se e quando
for necessário, vamos mobilizar também as forças armadas”, prometeu
Dilma.
A presidente disse ainda que o governo investiu R$ 1,9 bilhão em
segurança para a Copa – boa parte no sistema de comando e controle, por
exemplo – e assegurou estar preparada para oferecer segurança aos
brasileiros e visitantes. “Estaremos muito bem preparados para garantir a
segurança de todos e tenho certeza de que vamos fazer a Copa das
copas”, prometeu.
Lobão e ONS batem cabeça sobre risco de racionamento
Ministro de Minas e Energia apressou-se em contradizer diretor do ONS sobre nível de reservatórios do país
Lobão: energia será assegurada pela geração das usinas termelétricas
(ABR)
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, contrariou
o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes
Chipp, ao dizer que não há probabilidade de desabastecimento de energia
elétrica no país neste ano — e tampouco racionamento. "Problema de
abastecimento não haverá, em nenhuma circunstância", disse Lobão.
Na terça-feira, Chipp havia declarado que poderia
haver desabastecimento de energia elétrica se os reservatórios das
hidrelétricas do principal sistema gerador (Sudeste/Centro-Oeste)
ficassem abaixo do nível de 43% da capacidade no fim de abril.
Atualmente, estão em 35%. O ONS teme que os volumes não sejam suficientes para abastecer normalmente o país ao longo do período de estiagem - entre maio e novembro.
Contradizendo o técnico, Lobão afirmou que tal patamar de
armazenamento (43%) "é confortável", mas disse que, mesmo que não se
chegue a esse nível, não haverá desabastecimento. O suprimento, segundo o
ministro, seria assegurado pelas usinas termelétricas, que geram
energia mais cara e têm pesado sobre as contas do governo. O ministro
não mencionou, contudo, que mesmo as térmicas operam em sua capacidade
máxima de geração.
Logo após o apagão que deixou 13 estados brasileiros no escuro, no início de fevereiro, Chipp aventou a possibilidade de um raio ter causado o incidente.
A presidente Dilma e o ministro Lobão rapidamente se pronunciaram para
negar a informação. Em entrevista à imprensa um ano antes, a presidente
havia até mesmo ironizado o argumento climático para justificar falhas
elétricas. Leia mais: Câmara aprova urgência para devolução de R$ 7 bi da conta de luz aos consumidores ONS atribui apagão no Espírito Santo a incidentes em Furnas Reajuste de 4,6% na conta de luz pode impactar inflação Risco aumenta — Segundo estudo da Safira Energia, se
nos próximos quatro meses o nível de chuvas for semelhante ao de
janeiro, o sistema elétrico nacional estará igual ao visto em 2001,
quando o Brasil passou por um severo racionamento de energia. Tal
estimativa leva em conta o acréscimo de geração térmica e linhas de
transmissão realizadas entre 2001 e 2014, segundo Fábio Cuberos, gerente
de regulação da consultoria.
No primeiro mês do ano, o segundo pior janeiro em 83 anos, a
capacidade dos reservatórios ficou em torno de 30.100 megawatt
(MW) médio, o equivalente a 55% da média histórica (56.400 MWmed). Se a
situação perdurar até abril, o país passará pelo pior período de
seca desde 1955.
Lei da Ficha Limpa pode barrar 16 deputados e 1 senador
É o que mostra
levantamento inédito da ONG Transparência Brasil. Em 2014, lei será
aplicada pela primeira vez nas eleições de âmbito estadual e federal
Daniel Jelin
Congresso Nacional: pela primeira vez, a Lei da Ficha
Limpa vai ter efeito sobre a disputa na Câmara e Senado, que aprovaram o
texto em 2010
(Dida Sampaio/Agência Estado)
Dezessete dos 594 atuais parlamentares podem ficar de fora das
eleições de 2014 por força da Lei da Ficha Limpa. É o que mostra
levantamento inédito da ONG Transparência Brasil. São dezesseis
deputados e um senador condenados em segunda instância por improbidade
administrativa, compra de votos ou abuso de poder econômico ou político.
O PSD tem quatro parlamentares enquadrados; o PMDB, três; PSDB, PP e
Pros, dois; PT, PSB, PSC e PRP têm um cada.
A Ficha Limpa é uma das poucas leis nascidas da iniciativa popular.
O projeto foi enviado ao Congresso em 2009 e aprovado logo em 2010.
O Supremo Tribunal Federal (STF), contudo, anulou a aplicação da lei
na eleição daquele ano, adiando seus efeitos para a disputa
municipal de 2012. A corrida de 2014 será, portanto, a primeira de
âmbito estadual e federal na vigência da lei.
O texto prevê catorze hipóteses para afastar das urnas políticos com a
ficha suja. A inelegibilidade, no entanto, não é decretada
automaticamente. Para a aplicação da lei nos casos de improbidade
administrativa, por exemplo, é necessário comprovar que houve prejuízo
para os cofres públicos e enriquecimento ilícito. Cabe à Justiça
Eleitoral decidir caso a caso - foram 3.366 recursos ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) na eleição de 2012, de um total de 7.781
processos relacionados ao registro de candidaturas, segundo balanço
divulgado em janeiro pela Corte.
Alguns dos nomes que aparecem no levantamento da Transparência Brasil
já tiveram problemas com a Lei da Ficha Limpa quatro anos atrás. É o
caso de Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), o único senador da lista, e do deputado João Pizzolatti (PP-SC). Eleitos
em 2010, os dois foram barrados pela Justiça Eleitoral e só tomaram
posse após o STF decidir que a norma, mesmo aprovada, não valeria para a
corrida eleitoral de 2010.
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) também teve a candidatura impugnada em 2010, mas no mesmo ano conseguiu reverter sentença condenatória e se livrou da punição antes mesmo que o STF adiasse os efeitos da lei para 2012. Em 2013, porém, em nova derrota na Justiça,Maluf foi condenado por improbidade administrativa e superfaturamento de obras.
A Lei da Ficha Limpa ameaça dezessete parlamentares este ano, mas
isso não significa que os demais 577 estejam quites com a Justiça,
lembra o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber
Abramo. Na verdade, como mostra levantamento do projeto Excelências, da Transparência Brasil, recentemente relançado, com apoio de VEJA,
quase a metade do Congresso (54,8% dos deputados e 46,9% dos senadores)
está enrolada na Justiça ou nos tribunais de contas. A grande maioria
dos processos, contudo, se arrasta nos tribunais, sem definição. "É uma
invasão de gente com problemas na Justiça", diz Abramo. "A política tem
de ser protegida dessas pessoas".
Em agosto do ano passado, o regime de Bashar Al-Assad colocou a
comunidade internacional em alerta após utilizar uma arma de destruição
em massa em Ghouta. O ataque químico
matou centenas de pessoas e desencadeou um processo que por pouco não
levou a uma intervenção dos Estados Unidos na guerra. No começo deste
ano, enquanto as armas químicas da Síria estão sendo entregues à ONU,
um novo tipo de armamento está sendo tão letal quanto. Ironicamente, a
arma que está matando civis de forma indiscriminada não é nem de longe
tão tecnológica quanto um arsenal químico. É uma bomba improvisada.
>> (Não) tão só na tragédia síria >> Europeus partem para a guerra na Síria
Ela está sendo chamada de bomba-barril. Na verdade, nada mais são do
que recipientes metálicos, geralmente barris de petróleo, contendo uma
mistura de dinamite, pregos, sucata e estilhaços. Essas bombas-barril
estão sendo lançadas manualmente por soldados do governo sírio de
helicópteros nas principais cidades com presença rebelde no país, como
Homs, Daara e Alepo.
O regime começou a utilizar esse tipo de armamento improvisado em 2012.
Os barris eram lançados de helicópteros sobrevoando em baixa altitude,
permitindo danificar alvos rebeldes com boa precisão e baixo custo. A
estratégia parou de funcionar quando os rebeldes capturaram armamentos portáteis
que permitem derrubar helicópteros. Até então, a bomba era apenas uma
arma convencional improvisada. A situação mudou a partir de dezembro de
2013, quando o regime começou uma forte ofensiva na cidade de Alepo.
Alepo é uma das maiores cidades do país, e parte dela está sob controle dos rebeldes. Segundo um relatório do Institute for the Study of War,
um think tank americano, Assad não tem forças terrestres suficientes
para controlar a cidade. Os rebeldes contam com apoio de parte da
população e utilizam os prédios e construções como defesa e abrigo,
lutando uma guerra de guerrilha. Para recuperar essas áreas, o regime
passou a lançar as bombas-barril sobrevoando em altitudes mais altas,
longe do alcance das armas rebeldes.
O resultado é devastador. Sem nenhuma precisão, as bombas improvisadas
atingem largas áreas habitadas por civis, causando grande destruição,
matando indiscriminadamente idosos, mulheres e crianças, derrubando
prédios e forçando a população a deixar bairros inteiros de Alepo. "A
campanha de bombas-barril de dezembro de 2013 ilustra como o regime
passou a infligir mortes em massa em civis a fim de aliviar a pressão e
ganhar terreno", diz o relatório do Institute for the Study of War.
A ofensiva se intensificou nas últimas três semanas. Segundo o jornal The New York Times,
os bombardeios resultaram na mais recente onda de refugiados no norte
da Síria. Estima-se que, desde o começo do ano, mais de 20 mil pessoas
cruzaram a fronteira com a Turquia fugindo de Alepo. Nos últimos dias, a
ONU contou 2 mil refugiados por dia tentando deixar o país.
O uso de barris como armamento foi criticado e denunciado por várias
autoridades do mundo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o fim de ataques a civis. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, descreveu
a ofensiva como "o mais recente ato de barbárie do regime sírio".
Especialistas em armamentos questionam essas críticas. Segundo eles, as
bombas-barril são pouco efetivas e tiram o foco do uso do mísseis e
armamentos russos, que estão à disposição de Assad. Ainda assim, segundo
o Washington Post,
a comunidade internacional deve se preocupar, já que o uso
indiscriminado desse tipo de armamento comprova que Assad está disposto a
matar uma grande quantidade de civis para vencer a guerra.
O sociólogo polonês denuncia a perda de
referências políticas, culturais e morais da civilização e diz que só os
jovens, com sua indignação, poderão resistir à banalização
Em 1963, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman foi censurado e afastado da
Universidade de Varsóvia por causa de suas ideias, consideradas
subversivas no comunismo. Hoje, aos 88 anos, imigrante em Londres,
é considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da
civilização. Ele ainda dá aulas na London School of Economics, ministra
palestras pelo mundo inteiro e publicou quatro dezenas de livros que
viraram best-sellers. Seus 32 títulos lançados no Brasil venderam 350 mil exemplares. O mais recente é Vigilância líquida
(Zahar, 160 páginas, R$ 36,90). Bauman é autor do conceito de
“modernidade líquida”. Com a ideia de “liquidez”, ele tenta explicar as
mudanças profundas que a civilização vem sofrendo com a globalização e o
impacto da tecnologia
da informação. Nesta entrevista, ele fala sobre como a vida, a política
e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos. As instituições
políticas perderam representatividade porque sofrem com um “deficit perpétuo
de poder”. Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e
patrocinar a cultura e as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre os
líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não
apoiar nenhuma.
ÉPOCA – De acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a fé em nós mesmos?
Zygmunt Bauman – Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior),
podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do
futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram
voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas
realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de
uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão
do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse
futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais
descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá. ÉPOCA – Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora?
Bauman – A decadência da política é causada e reforçada pela
crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os
problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam
ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos
serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos
desafios postulados pela contínua globalização de nossa
interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se
encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da
política que sofre o deficit perpétuo do poder. Daí a crise de
confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu
nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como
atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos
sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram
desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação,
apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva. >> Leia mais perguntas a Zygmunt Bauman
ÉPOCA
– As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas
eficazes de mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma
sociedade em rede?
Bauman – Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais
eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do
passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line.
No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência
de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela
on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à
tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet. ÉPOCA – Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história?
Bauman – Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens
possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e
se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da
determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens
precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência
da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus
habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.
"Para mudar o mundo,
os jovens precisam trocar
o mundo virtual pelo real"
ÉPOCA – Como o senhor vê a nova onda de protestos na Europa, no Oriente Médio, nos Estados Unidos e na América Latina, que aumentou nos últimos anos?
Bauman – Se Marx e Engels escrevessem o Manifesto Comunista
hoje, teriam de substituir a célebre frase inicial – “Um espectro ronda
a Europa – o espectro do comunismo” – pela seguinte: “Um espectro ronda
o planeta – o espectro da indignação”. Esse novo espectro comprova a
novidade de nossa situação em relação ao ano de 1848, quando Marx e
Engels publicaram o Manifesto. Faltam-nos precedentes históricos para aprender com os protestos de massa e seguir adiante. Ainda estamos tateando no escuro. ÉPOCA – O senhor afirma que as elites adotaram uma atitude de
máximo de tolerância com o mínimo de seletividade. Qual a razão dessa
atitude?
Bauman – Em relação ao domínio das escolhas culturais, a
resposta é que não há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das
ofertas culturais disponíveis. Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às
ambições passadas, de empreender uma missão iluminadora da cultura. A
elite deixou de ser o mecenas da cultura. Hoje, as elites medem sua
superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo. ÉPOCA – Essa diluição dos valores explica por que artistas como
Damian Hirst e Jeff Koons buscam mais fama do que reconhecimento
artístico?
Bauman – Prefiro não generalizar sobre esse tema. Os artistas,
suas performances e produtos são hoje em dia muitos e diferentes, e os
veredictos apressados são equivocados. Pessoalmente, detesto e me
aborreço com os Damiens Hirsts, Jeff Koons e similares. Mas eles são
ostensivamente sustentados pelas correntes e modas guiadas pelo mercado.
Os mercados usurparam o mecenato das artes das igrejas e dos Estados.
Por isso, o meio é realmente a mensagem da arte contemporânea. >> Mais entrevistas publicadas por ÉPOCA ÉPOCA – Como diz o crítico George Steiner, os produtos
culturais hoje visam ao máximo impacto e à obsolescência instantânea. Há
uma saída para salvar a arte como uma experiência humana importante?
Bauman – Bem, esses produtos se comportam como o resto do
mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos
consumidores. Uma vez que a busca pelo lucro continua a ser o motor mais
importante da economia, há pouca oportunidade para que os objetos de
arte cessem de obedecer à sentença de Steiner... ÉPOCA – O senhor diz que a cultura se tornou dependente da moda. Por que isso ocorre?
Bauman – Modas vêm e vão e são tão velhas quanto a cultura, tão antigas quanto o homo sapiens...
O que a fez tão espetacularmente presente em nossa vida diária é o
impacto combinado da comunicação digital em tempo real e da produção em
massa com a associação entre butiques de alta-costura e grandes redes de
lojas. As manifestações culturais e artísticas são arrastadas pelo
motor da moda. ÉPOCA – A moda pode dar sentido à vida das pessoas?
Bauman – A moda tem seus usos e uma demanda enorme e
crescente. Ela fornece um modelo para a constante troca de identidades
de nosso mundo. Funciona também como antídoto contra o horror de falhar
num mundo em alta velocidade e contra o resultante abandono e degradação
social. Não há nada de inútil na moda. Pelo contrário, é uma
necessidade num mundo de flutuação e desorientação. ÉPOCA – Seus livros parecem pessimistas, talvez porque abram
demais os olhos dos leitores. O senhor é pessimista? Ou busca a alegria
de alguma forma, apesar de todos os problemas?
Bauman – A meu ver, os otimistas acreditam que este mundo é o
melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas
podem estar certos... Mas acredito que essa classificação binária de
atitudes não é exaustiva. Existe uma terceira categoria: pessoas com
esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria. De outra forma, não
veria sentido em falar e escrever...