Relatório: britânicos podem perder Malvinas com ocupação
01 de abril de 2012 • 09h41
• atualizado às 10h39

A costa de Stanley vista a partir do porto, nas ilhas Malvinas
Foto: Reuters
O Reino Unido teria dificuldades para defender, reforçar e
recuperar as ilhas Malvinas se a Argentina decidisse ocupá-las outra vez
pela força como fez há 30 anos, revelou relatório divulgado neste
domingo.
Elaborado pela Associação para a Defesa Nacional do Reino Unido (UKNDA,
na sigla em inglês), o estudo indica que as ilhas do Atlântico Sul estão
hoje em situação mais vulnerável do que ao final do conflito armado, em
14 de junho de 1982.
A UKNDA é uma organização que avalia a capacidade militar das Forças
Armadas e defende o bem-estar dos militares. Pelo relatório, Londres
teria problemas para desdobrar as forças necessárias para defender as
ilhas após uma ocupação.
"Em circunstâncias favoráveis, o desdobramento de mais soldados e de uma
adequada força de guerra levaria aproximadamente uma semana", diz o
texto, cuja publicação coincide com o aniversário nesta segunda-feira da
data de início do conflito que levou a uma guerra entre os dois países
pela posse das ilhas.
Em uma situação assim, os britânicos teriam de fechar a base aérea de
Mount Pleasant, nos arredores da capital Puerto Stanley, durante uma
semana para dar tempo à chegada de reforços, assinala a UKNDA, que
lembra a falta de armamento do Reino Unido.
O relatório foi elaborado com a ajuda de ex-combatentes da guerra de
1982, entre eles o general Julian Thompson, dos Royal Marines; o capitão
Michael Clapp, da Royal Navy, e o comodoro do ar Andrew Lambert, do
Real Força Aérea (RAF).
Também contribuíram o historiador militar Andrew Roberts; o diretor do
UKNDA, comandante John Muxworthy, e o subdiretor desta associação, Andy
Smith. Após a divulgação do relatório, um porta-voz do Ministério de
Defesa britânico disse que, ao contrário de 1982, o país tem uma boa
base aérea nas Malvinas para defender as ilhas.
"As pessoas deveriam estar tranquilas pelos planos de contingência que
temos agora em comparação com os que tínhamos há 30 anos. Além disso,
não há provas de que haja atualmente uma ameaça militar contra as
Falklands (Malvinas)", acrescentou o porta-voz.
O conflito bélico de 1982, no qual morreram 255 militares britânicos e
650 argentinos, começou quando a junta militar argentina ocupou as ilhas
em 2 de abril e terminou com a vitória do Reino Unido em 14 de junho.
Casas são vistas em local próximo ao mar, no vilarejo de
Darwin, nas Ilhas Malvinas. No dia 2 de abril, a guerra entre Argentina e
Inglaterra pelo domínio do arquipélago completa 30 anos em meio a
disputas pela soberania do território
Um píer localizado no vilarejo de Darwin
Placa alerta para o perigo de minas terrestres em um campo
Ovelhas são mantidas dentro de um matadouro em Goose Green
Homem observa o chamado "morro das botas", perto de Stanley,
onde é tradição que os turistas deixem um pé do sapato que estiver
usando antes de deixar as ilhas
Duas casas são vistas perto da praia no vilarejo de Darwin, nas ilhas Malvinas
Uma ovelha é vista em um campo em Darwin, nas ilhas Malvinas
O governador britânico das Malvinas, Nigel Haywood, dá
entrevista e diz que não faz sentido negociar enquanto a Argentina
continuar desafiando o direito dos habitantes da ilha à livre
determinação
Moradores prendem bandeiras britânicas a um veículo
Moradora caminha em direção ao correio das Malvinas
Barcos ficam ancorados no porto de Stanley, a capital das ilhas
O argentino Sebastian Socodo trabalha cuidando do cemitério argentino nas Malvinas
No porto de Stanley, uma placa dá as boas-vindas em inglês e apresenta as Malvinas como Falkland Islands